A/C Depto de RH

Embora eu nunca tenha oficialmente assumido um “cargo” na área de recursos humanos, em todas as empresas que passei nos meus 15 anos de carreira eu fui naturalmente conduzido ao posto de “responsável por recrutar, selecionar e receber os novos talentos”. Uma espécie de guardião da cultura das empresas.

Conversando sobre isso numa roda de bar, com amigos de longa data, começamos a debater sobre esta área e, principalmente, porque os “departamentos de RH” geralmente ou não se dão bem com os “gestores de área” e vivem em pé de guerra, ou são ineficientes tanto na mineração de talentos adequados quanto na na propagação da cultura das organizações (claro que há exceções).

E aí me veio à mente uma diferença marcante entre o trabalho que eu desenvolvo (que já chegou a eliminar departamentos inteiros de algumas empresas) e o que vejo o mercado praticar: Esta diferença está em um critério muito simples de entender:

Enquanto o RH inconscientemente sempre procura um motivo pra desclassificar um candidato, eu procuro apenas um motivo pra contratá-lo.

Não estou dizendo que um ou outro está errado (estou apenas sugerindo). Os filtros de avaliação são necessários e esta busca por um candidato perfeito que as agências e consultorias de recrutamento perseguem pode até ser útil. Mas a questão é que, quando alguém me pergunta o porquê de ter efetuado alguma das contratações que efetuei, eu tenho a resposta sempre na ponta da língua, e é claro que ela é relativa em cada contratação já que é o perfil do candidato que responde isto. Eu perguntei pra alguns amigos da área de RH o que era determinante para contratação, e a resposta da maioria indicou “ausência de falhas no currículo”, “nada que impeça a contratação” e coisas assim, quando o correto deveria ser presença de determinada característica ou feito, e não ausência de outras coisas que até podem ser complementadas pós contratação.

Esta é uma questão complexa. Tem vários fatores que originaram a forma como isso acontece hoje (Até as cartas de referência que vejo circular são do tipo “não há nada que diga que ele não é bom”). Um único post sobre o assunto não explora as causas da questão. Mas achei muito útil registrar essa conversa aqui e compartilhar com vocês a reflexão:

Contrate pessoas pelo que elas têm, e não pelo que elas não tem.

Forte abraço.

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